quinta-feira, 11 de junho de 2009

domingo, 7 de junho de 2009

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

sábado, 27 de dezembro de 2008

Goldfarming: economia virtual

Trabalho ou jogo? As duas coisas, parece. Vejam aí as condições de funcionamento da gold farmer ( fazenda de ouro!?) na China. Lá existiria uma grande tradição em jogos em geral. E não demandaria conhecimenteo de inglês para jogar.

Gold Farming, China e Economia Virtual

A capacidade de distinguir entre o real e o virtual se converteu em sofisticada especialização nos dias atuais. A expressão "nem aqui, nem na China", empregada como sinônimo de uma situação inverossímil, quase caiu em desuso. Mas às vezes faz falta. Essa é a primeira evocação que provoca a leitura do Shanghai Daily ( 14.11.2008). A notícia pequena se perdeu no festival de novidades surpreendentes, que tiraram o sono das pessoas do mundo do dinheiro nos últimos meses. O tsunami financeiro fazia suas vítimas e contribuía para desviar a atenção de todos, em direção às celebridades do mundo dos negócios. Essas, a cada instante, mudando de local nas colunas dos jornais diários, a ameaçar de congestionamento suas páginas menos nobres.
Provavelmente por isso, passou quase despercebida a notícia da criação de imposto sobre ganhos com transferência de propriedade virtual...nos jogos on line! Que agora é lei na China.
Apenas aqueles mais atentos tiveram as atenções despertadas para o curioso e emblemático fato, próprio da economia virtual dos jogos online. Na raiz das atividades relacionadas a esse tipo de jogo encontram-se siglas e conceitos pouco familiares. Especialmente se o leitor não fizer parte da jovem tribo adepta da nova modalidade de lazer: os jogos de multi-utilizadores - Massively Multiplayer Online Games (MMOG).
Estudos recentes já mostram que esses jogos propiciaram o surgimento de um conjunto de atividades que começam a surpreender o mundo. Nesse campo, a China se destaca com o grande número de pessoas que exercem a função de gold farmer (que coleta moeda virtual dentro do jogo para revendê-la a outros jogadores, visando pagamento em dinheiro real ) . Atividade é exercida em cyber cafés, lan houses e em empreendimentos organizados em micro e pequenas empresas. Costuma receber a designação genérica e mais ampla de goldfarming: produção virtual de bens e serviços destinados a participantes de jogos online.
Numa versão mais restrita, livre e tropicalizada, caberia a expressão garimpo virtual, com o significado de procura e captura de peças preciosas ( gold) virtuais para troca por dinheiro real. Nela o jogador se divertiria jogando, e acumularia recursos virtuais, que lhe permitiriam renda extra, mediante sua troca por dinheiro real. Em pouco tempo- cerca de duas décadas- essa atividade transformou- se de lazer em fonte de renda e emprego.
Esse jogador /trabalhador também atuaria auxiliando outros jogadores, dentro do jogo online, mediante remuneração virtual, conversível posteriormente em moeda real.
Na cadeia de valor da gold farm encontra-se, ainda, entre outros integrantes, a figura do distribuidor, o broker.O intermediário entre o vendedor e o comprador do bem virtual. Como se vê, uma gold farm seria uma espécie de mini Serra Pelada...de ouro virtual.
Segundo estudos disponíveis, teria movimentado, no último ano, cerca de 33 bilhões de dólares. Além disso, mobiliza aproximadamente 50 milhões de jogadores on line mundo afora. De qualquer modo, as cifras parecem expressivas, visto o curto espaço de tempo desde o início da sua disseminação. Diversos fatores contribuíram para o seu desenvolvimento, com destaque para a expansão da banda larga, o aumento das transações baseadas na Internet, a popularização do uso dos cartões de crédito e a difusão dos serviços do tipo PayPal.Esse último teria funcionado como uma espécie de cartão pré-pago, útil para entrada e participação nos jogos on line. Além de representar valiosa e prática moeda de troca para aquisição de dispositivos e a contratação de pequenos serviços, dentro do jogo, visando a realização de tarefas virtuais. Constitui, juntamente com o cartão de crédito, importante porta de conexão com o dinheiro real.
Tudo isso impulsionado pela terceirização da atividade do jogador on line. Inicialmente esse movimento se dirigiu dos Estados Unidos em direção ao México. Fixando-se, em seguida, na Ásia, e tendo na Coréia e Japão grandes contratantes, junto com os paises industrializados. Uma distribuição internacional do trabalho em jogos on line estava em marcha. As tarefas repetitivas, desgastantes eram contratadas além fronteiras. Onde houvesse mão-de- obra barata, disponível, interessada e capaz de adquirir créditos, bônus e executar tarefas monótonas, repetitivas, desagradáveis. O jogador endinheirado e apressado pagava por isso em moeda virtual ( gold) conversível em moeda real através do PayPal, por exemplo. O jogo mais popular no gênero é o World of Warcraft, da americana Blizzard Entertainment.
A China, conhecida como fábrica do mundo, destacou-se até aqui também como a maior empregadora de garimpeiros virtuais da economia do jogo. Os seus trabalhadores/jogadores em atividade já somam cerca de 400 mil, apenas na economia virtual do jogo on line. Todos mobilizados para absorver as etapas repetitivas e trabalhosas do jogador /contratante, na busca para alcançar pontuação mais graduada, que permita conduzi-lo a um nível superior de dificuldade dentro do jogo, numa curiosa negociação, através de avatares, dentro do espaço virtual.
O noticiário especializado chinês informou que os ganhos obtidos com a aquisição e revenda de moedas virtuais, dentro do jogo, serão taxados, na China, em valores que oscilam de 3% a 20% do resultado ( taxas a serem pagas em moeda real).
Por outro lado, diante das últimas surpreendentes referências - na imprensa global - a assuntos exotéricos tais como pirâmides, subprimes, derivativos, investiment grade, análise de risco, hedge funds, parachute dorée etc, caberia uma suposição: essas referências seriam, na realidade, revelações de atalhos do grande jogo virtual no cassino mercado global.

Game Over!

sábado, 18 de outubro de 2008

Banco Volta a origem?

Efeitos da crise? Antigo banco utilizado pelos comerciantes que carregavam consigo o dinheiro para adquirir e negociar mercadorias.Sentavam no pequeno trono, em cima nas pilhas de moedas e negociavam, negociavam. Tinham tempo, né? Essa peça está exposta no Ermitage em São Petersburgo, Rússia. A mão - zinha em cima do assento não é arranjo, não. Nem o que está pensando. Apenas aviso para ninguém sentar. Nada de pensar que é dedada em russo...
Dedada mesmo foi a virtual. Planetária!
K. Marx, au secour!

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terça-feira, 12 de agosto de 2008

China avalia Universidades no Mundo


Além das Olimpíadas, parece que os chineses pretendem promover outra competição: ranking das 500 melhores universidades do mundo. A universidade de Shangai divulgou dia 5 de agosto o resultado da sua mais recente avaliação mundial das universidades. O trabalho foi realizado pelo
The Ranking Group (Professor Nian Cai LIU, Dr. Ying CHENG and Mr. Lin YANG) in the Center for World-Class Universities, Graduate School of Education of Shanghai Jiao Tong University.
Essa série de estudos teve início em 2003 e desde então anualmente os chineses divulgam os resultados, que progressivamante se tornam prestigiados. Já orientam alguns diagnósticos sobre o tema e provavelmete inspirarão iniciativas no âmbito da comunidade européia. Embora alguns críticos considerem a metodologia excessivamente influenciada pelas referências anglo-saxônicas, não resta dúvida que os chineses também entraram para valer nesse domínio e angariaram prestígio em curto espaço de tempo. Uma olimpíada da pesquisa universitária? Esse o processo em construção?
Vale a pena um exame crítico da metodologia e dos critérios de avalição empregados. Os resultados disponíveis provocarão artigos e discussões em vários cantos da academia. Se interessar, vá em :
http://www.arwu.org/rank2008/ARWU2008Methodology(EN).htm

quinta-feira, 26 de junho de 2008

TV PÚBLICA NA CONVERGÊNCIA TECNOLÓGICA

A publicidade na TV Pública já era assunto polêmico . Com a convergência tecnológica, sua função e seu papel no modelo de funcionamento daquele tipo de televisão despertam questões essenciais. As implicações políticas e econômicas da sua adoção se ampliam significativamente. Estão no centro das discussões sobre o projeto para a tv francesa que, nesse momento, ocupam parte do noticiário em alguns países. A criação de taxa destinada a compensar a extinção da publicidade na tv pública, parece que vai tirar o sono do Sarkozy. Após abreviar o prazo para entrada em vigor da interdição de publicidade paga antes das 20 horas na tv pública naquele país, passada de outubro para janeiro de 2009, decidiu, ainda, taxar as empresas da convergência para suprir a perda de receitas da tv pública com a extinção da receita com a publicidade paga. Mecanismo engenhoso, e talvez perverso, caso se considere que quanto mais publicidade canalizada para o segmento privado mais a tv pública arrecada. Parece uma curiossa cadeia da felicidade. Ou armadilha?
Talvez o entendimento seja outro. A verificar com o tempo.

Ademais da contestação dos valores dessa taxação, maiores que os propostos na Comissão Copé, se defrontará o presidente francês com as questões relacionadas à sustentação de uma tv pública e sem publicidade. Certamente não são poucas nem triviais essas difiduldades. As manifestações imediatas decorrem de reações à medida por parte daqueles que deverão pagar as taxas no seu projeto: as operadoras de telecomunicações os provedores de acesso à INTERNET , as televisões privadas. Mas não há dúvida: além das discussões e questionamentos sobre percentuais, base de cálculo e constitucionalidade da medida, muito ainda se discutirá sobre como fazer/avaliar uma TV Pública de qualidade na convergência tecnológica. Sua independência, o modelo operacional, sua responsabilidade pública e cultural. Com ou sem publicidade paga. Com ou sem audiência. O jogo apenas começou...pesado.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

quarta-feira, 26 de março de 2008

PASSEATA DOS 100 MIL


LANÇAMENTO HOJE NO LEBLON

CINE CENTRAL


TRADICIONAL CINE TEATRO DE JUIZ DE FORA

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terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

FIDEL RENUNCIA: A CARTA

COMUNICAÇÃO PUBLICADA NO JORNAL GRANMA EM 19. 02. 2008

"les comunico que no aspiraré ni aceptaré- repito- no aspiraré ni aceptaré, el cargo de Presidente del Consejo de Estado y Comandante en Jefe".


Queridos compatriotas:

Les prometí el pasado viernes 15 de febrero que en la próxima reflexión abordaría un tema de interés para muchos compatriotas. La misma adquiere esta vez forma de mensaje.
Ha llegado el momento de postular y elegir al Consejo de Estado, su Presidente, Vicepresidentes y Secretario.
Desempeñé el honroso cargo de Presidente a lo largo de muchos años. El 15 de febrero de 1976 se aprobó la Constitución Socialista por voto libre, directo y secreto de más del 95% de los ciudadanos con derecho a votar. La primera Asamblea Nacional se constituyó el 2 de diciembre de ese año y eligió el Consejo de Estado y su Presidencia. Antes había ejercido el cargo de Primer Ministro durante casi 18 años. Siempre dispuse de las prerrogativas necesarias para llevar adelante la obra revolucionaria con el apoyo de la inmensa mayoría del pueblo.
Conociendo mi estado crítico de salud, muchos en el exterior pensaban que la renuncia provisional al cargo de Presidente del Consejo de Estado el 31 de julio de 2006, que dejé en manos del Primer Vicepresidente, Raúl Castro Ruz, era definitiva. El propio Raúl, quien adicionalmente ocupa el cargo de Ministro de las F.A.R. por méritos personales, y los demás compañeros de la dirección del Partido y el Estado, fueron renuentes a considerarme apartado de mis cargos a pesar de mi estado precario de salud.
Era incómoda mi posición frente a un adversario que hizo todo lo imaginable por deshacerse de mí y en nada me agradaba complacerlo.
Más adelante pude alcanzar de nuevo el dominio total de mi mente, la posibilidad de leer y meditar mucho, obligado por el reposo. Me acompañaban las fuerzas físicas suficientes para escribir largas horas, las que compartía con la rehabilitación y los programas pertinentes de recuperación. Un elemental sentido común me indicaba que esa actividad estaba a mi alcance. Por otro lado me preocupó siempre, al hablar de mi salud, evitar ilusiones que en el caso de un desenlace adverso, traerían noticias traumáticas a nuestro pueblo en medio de la batalla. Prepararlo para mi ausencia, sicológica y políticamente, era mi primera obligación después de tantos años de lucha. Nunca dejé de señalar que se trataba de una recuperación "no exenta de riesgos".
Mi deseo fue siempre cumplir el deber hasta el último aliento. Es lo que puedo ofrecer.
A mis entrañables compatriotas, que me hicieron el inmenso honor de elegirme en días recientes como miembro del Parlamento, en cuyo seno se deben adoptar acuerdos importantes para el destino de nuestra Revolución, les comunico que no aspiraré ni aceptaré- repito- no aspiraré ni aceptaré, el cargo de Presidente del Consejo de Estado y Comandante en Jefe.
En breves cartas dirigidas a Randy Alonso, Director del programa Mesa Redonda de la Televisión Nacional, que a solicitud mía fueron divulgadas, se incluían discretamente elementos de este mensaje que hoy escribo, y ni siquiera el destinatario de las misivas conocía mi propósito. Tenía confianza en Randy porque lo conocí bien cuando era estudiante universitario de Periodismo, y me reunía casi todas las semanas con los representantes principales de los estudiantes universitarios, de lo que ya era conocido como el interior del país, en la biblioteca de la amplia casa de Kohly, donde se albergaban. Hoy todo el país es una inmensa Universidad.
Párrafos seleccionados de la carta enviada a Randy el 17 de diciembre de 2007:
"Mi más profunda convicción es que las respuestas a los problemas actuales de la sociedad cubana, que posee un promedio educacional cercano a 12 grados, casi un millón de graduados universitarios y la posibilidad real de estudio para sus ciudadanos sin discriminación alguna, requieren más variantes de respuesta para cada problema concreto que las contenidas en un tablero de ajedrez. Ni un solo detalle se puede ignorar, y no se trata de un camino fácil, si es que la inteligencia del ser humano en una sociedad revolucionaria ha de prevalecer sobre sus instintos.
"Mi deber elemental no es aferrarme a cargos, ni mucho menos obstruir el paso a personas más jóvenes, sino aportar experiencias e ideas cuyo modesto valor proviene de la época excepcional que me tocó vivir.
"Pienso como Niemeyer que hay que ser consecuente hasta el final."
Carta del 8 de enero de 2008:
"...Soy decidido partidario del voto unido (un principio que preserva el mérito ignorado). Fue lo que nos permitió evitar las tendencias a copiar lo que venía de los países del antiguo campo socialista, entre ellas el retrato de un candidato único, tan solitario como a la vez tan solidario con Cuba. Respeto mucho aquel primer intento de construir el socialismo, gracias al cual pudimos continuar el camino escogido."
"Tenía muy presente que toda la gloria del mundo cabe en un grano de maíz", reiteraba en aquella carta.
Traicionaría por tanto mi conciencia ocupar una responsabilidad que requiere movilidad y entrega total que no estoy en condiciones físicas de ofrecer. Lo explico sin dramatismo.
Afortunadamente nuestro proceso cuenta todavía con cuadros de la vieja guardia, junto a otros que eran muy jóvenes cuando se inició la primera etapa de la Revolución. Algunos casi niños se incorporaron a los combatientes de las montañas y después, con su heroísmo y sus misiones internacionalistas, llenaron de gloria al país. Cuentan con la autoridad y la experiencia para garantizar el reemplazo. Dispone igualmente nuestro proceso de la generación intermedia que aprendió junto a nosotros los elementos del complejo y casi inaccesible arte de organizar y dirigir una revolución.
El camino siempre será difícil y requerirá el esfuerzo inteligente de todos. Desconfío de las sendas aparentemente fáciles de la apologética, o la autoflagelación como antítesis. Prepararse siempre para la peor de las variantes. Ser tan prudentes en el éxito como firmes en la adversidad es un principio que no puede olvidarse. El adversario a derrotar es sumamente fuerte, pero lo hemos mantenido a raya durante medio siglo.
No me despido de ustedes. Deseo solo combatir como un soldado de las ideas. Seguiré escribiendo bajo el título "Reflexiones del compañero Fidel" . Será un arma más del arsenal con la cual se podrá contar. Tal vez mi voz se escuche. Seré cuidadoso.
Gracias
Fidel Castro Ruz
18 de febrero de 2008
5 y 30 p.m.

sábado, 29 de setembro de 2007

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Tropicália

Caetano canta Tropicália. Muito bom!



http://www.youtube.com/watch?v=9754NizSyIA

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

O MAPA DESIGUALDADES DIGITAIS NO BRASIL


A Ritla
divulgou em 7 de agosto o resultado do estudo intitulado MAPA DAS DESIGUALDADES DIGITAIS. Elaborado por Júlio Waiseltisz o trabalho de 44 páginas procura analisar " as diversas fraturas econômicas, raciais, culturais, educacionais." no Brasil. Ao tentar produzir um diagnóstico sobre as desigualdades digitais nas diversos estados da federação, elabora metodologia que pretende medir o grau de concentração dos recursos por faixas de renda. Constrói índices de desigualdade de acesso gratuito e escolar, entre outros.Usa os resultados da PNAD do IBGE. Na área da educação confirma o que o senso comum já apontava:os benefícios da informatização acompanham bem de perto a condição sócio- econômica dos estudantes. Como vem se tornando usual em estudos do gênero (comparativo), elabora um ranking com base no índice das desigualdade digitais. Os estados que apresentam melhores posições relativas são:Distrito Federal, São Paulo seguido do Rio de Janeiro. Já os piores índices ficam por conta de Alagoas- o mais desigual do Brasil- seguido do Piauí e de Sergipe nessa ordem. Alguns comentários exigem maiores reflexões. Por exemplo, sua conclusão de que a elevada concentração de recursos, renda, etc torna utópica ( que usou no sentido de irrealizável) a inclusão digital pela via individual. Propõe estratégias coletivas e sociais. É para se pensar.
Mas o como fazer é essencialmente político. Questão candente e não resolvida.
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segunda-feira, 30 de julho de 2007

BRIC




BRIC, NOVO MODISMO?




Um novo acrônimo, do economês do mundo dos negócios, vem ganhando popularidade rapidamente : BRIC, iniciais de Brasil, Rússia, Índia e China, produzido no rastro da expectativa da ascensão das economias desses países. Sua criação é usualmente atribuída ao grupo de pesquisas econômicas do Goldman Sachs do qual faz parte Jim Óneill, entre outros. Valendo-se de estudos demográficos, tendências de crescimento de mercados, estimativas de produção, além da boa dose de otimismo, a equipe de pesquisadores do referido Banco vaticinou que, nas próximas décadas, os países do BRIC suplantarão as economias líderes. Até mesmo a liderança norte- americana estaria em questão. De acordo com as projeções por eles realizadas, a economia chinesa ultrapassaria a dos Estados Unidos até 2050. Os números que apresentaram, ainda em outubro de 2003, são efetivamente impressionantes. Apenas para o período 2005/2015 estaria prevista a inclusão de cerca de 800 milhões de pessoas no mercado como novos consumidores.
O emprego generalizado do termo vem despertando expectativas variadas e, às vezes, conflitantes. Na visão dos homens de negócio, a emergência desse grupo de países para a linha de frente das economias do futuro representará a mais importante mudança da economia mundial, na primeira metade desse século recém- inaugurado. A expectativa é alimentada pelos prognósticos para as próximas décadas. Ao prever que as economias dos quatro países alcançarão a liderança da economia mundial, a equipe surpreendeu e estimulou a imaginação de muitos. Afinal, incluiu a superação da economia americana pela economia da China entre as previsões... Surpreendeu, também, ao situar as economias dos países que fazem parte do BRIC entre as prováveis sete maiores economias do planeta nas próximas décadas. Deixando para trás as fortes economias da Alemanha e Japão. Desta forma, o sucesso no mundo dos negócios seria fortemente influenciado pelos resultados econômicos alcançados pelos países do BRIC.
Estudo muito recente, dessa vez patrocinado pela OCDE e divulgado em junho passado, também atribui papel de destaque a esse grupo de países emergentes. A publicação
OCDE EMPLOYMENT OUTLOOK- 2007 dedica o seu primeiro capítulo à análise do Mercado de Trabalho no Brasil, Rússia, Índia e China. Lembra que, em 2005, o grupo BRIC representou 42% da população mundial e 45% da força de trabalho. Para esse mesmo período, os países reunidos na OECD respondiam por cerca de 19% da população e igual porcentagem da força de trabalho. Vale recordar que esse organismo se constituiu num fórum que congrega 30 países. Converteu-se num local onde os governos podem comparar experiências de políticas públicas, buscar em conjunto soluções para problemas comuns e coordenar políticas domésticas e internacionais. No referido estudo, os países do BRIC são apresentados como grandes novos atores nas atividades de comércio e investimento. Ao discutir a situação atual, qualifica-a como resultante de um processo de globalização em escala jamais vista. Ao citar casos recentes de integração econômica, recorre ao exemplo dos países do BRIC. Destaca que esses incorporaram muitos serviços intensivos em mão de obra. E não apenas atividades industriais, como ocorrera no passado. Associa o avanço da globalização ao rápido processo de adoção das TIC- Tecnologias de Informação e Comunicação. Contudo, a trajetória das economias emergentes no campo das TIC também já fora objeto de atenção particular de grupos acadêmicos. Em 2001, logo em seguida ao bug do milênio, e certamente antevendo que algo de importante já estava em curso nessa parte do mundo o Massachussets Institute of Technology-MIT, promoveu a pesquisa Slicing the Knowledge- based Economy in Brazil, China and Índia. Esse trabalho compreendeu a realização de estudo comparativo sobre a evolução dos mercados de software naqueles 3 países, a partir de estudos individuais em cada um deles.
Quais características comuns os países do BRIC apresentam? Em que se diferenciam entre si e o que os distinguiria significativamente do segmento dos países desenvolvidos? Em comum, certamente, apresentam a grandiosidade numérica das suas respectivas populações e a elevada carência material de parte substancial do seu povo.Entre si se diferenciam pela herança cultural, histórica, religiosa, política. Ainda assim, poderiam essas nações representar um bloco? E, mais que isso, uma unidade de análise consistente e que apresentasse especificidade capaz de justificar tratamento conceitual em comum e não apenas estatístico? BRIC seria uma justaposição arbitrária de economias e experiências que careceriam de um mínimo de unidade? São indagações como essas que novos estudos e a experiência devem tentar responder.
A análise das repercussões do processo de globalização nas economias de um grupo de países reunidos no âmbito da OCDE aponta para fatos e tendências importantes.Os trabalhadores nos países da OCDE estariam cada vez mais preocupados com suas capacidades de manter os respectivos empregos. O documento publicado por aquele organismo destina longo espaço à análise do comércio internacional e mercado de trabalho desde 1980. Conclui que empregos e salários estão mais vulneráreis a choques externos. E, com isto, reduz -se o poder de negociação dos trabalhadores, especialmente os de mais baixa qualificação. O offshoring ou seja, a realocação de um negócio, de uma atividade econômica, (produção,manufatura, ou serviços ) de um país para outro, ou mesmo a simples ameaça da sua adoção, desponta como uma importante força a contribuir para o aumento da vulnerabilidade dos empregos e salários. A política do offshoring permitiria às empresas responder com mais flexibilidade aos choques externos, através de mudanças na produção e na relação entre o que é realizado localmente e o trazido de fora. Numa postura fatalista, sustenta que a manutenção de barreiras somente prejudicaria a obtenção dos melhores benefícios de uma globalização já inexorável. Porque aquelas se destinariam a apenas preservar empregos sem futuro...
Não deixa de ser revelador observar - no mesmo documento que estuda as economias dos países do BRIC, mercado de trabalho, emprego - a veemente defesa da flexicurity . Para alguns, ainda pode parecer estranha essa nova combinação de dois conceitos: flexibilidade e segurança. É mesmo polêmica e ambígua. Mas consta da agenda da União Européia que reúne 27 Estados Nacionais. Os mais críticos diriam que, na realidade, se trata de mais flexibilidade para contratar e demitir. Submeter a organização do trabalho à lógica do mundo dos negócios globalizados. Mesmo reconhecendo a importância e necessidade de harmonizar regionalmente as legislações trabalhistas e previdenciárias de diversos países com tradição, histórias e políticas distintas, não se pode omitir que subjacente a esse propósito também está presente a preocupação com a deslocalização de empreendimentos. O risco de vê-los transferidos, e aos empregos, para países de fora da região. Especialmente aqueles que seguiriam na direção de nações com baixa rigidez na sua legislação trabalhista, menores custos, mão- de -obra barata, treinada e farta: a provável razão do modismo do BRIC. China à frente como virtual fábrica do mundo. Seria isso o prenúncio de uma radicalização neoliberal, alimentada pela disputa para remunerar menos o trabalho em escala global?
Arthur Pereira Nunes
Publicado no Caderno de Educação da Folha Dirigida julho/2007

quarta-feira, 23 de maio de 2007

NEUTRALIDADE DA INTERNET

Carlos Afonso publicou importante e muito didático artigo sobre a discussão a respeito da neutralidade da Internet e suas consequências práticas aqui e lá fora. Para quem estiver interessado em compreender a natureza das polêmicas associadas à disputa entre operadoras de telefonia, provedores de acesso, custos, censura, etc esse é um ótimo caminho.

terça-feira, 1 de maio de 2007

MUNDIALIZAÇÃO E FRANÇOIS CHESNAIS


Instigante artigo publicado por Chesnais está disponível na

Correspondencia de Prensa - Dossier Nº 35 - Abril 2007



Sob o título Mundialización:
Extrema pobreza, destrucción del medio ambiente y guerras
La irracionalidad fundamental del capitalismo está en el núcleo de la crisis de civilización planetaria
Nesse
artigo de 46 páginas, Chesnais analisa o processo de mundialização do capital, suas implicações teóricas, repercussões no modelo de desenvolvimento e na configuração do novo sistema de poder. Destaco a análise da culminação do “mercado mundial” com a implantação profunda do capitalismo em partes importantes do mundo, antes controladas pelo imperialismo, e que hoje se mostram competidoras dos países capitalistas centrais: China e Índia. Procura construir o desenho de um novo período caracterizado pelo deslocamento do eixo político para a Ásia, marcado pela presença cada vez mais central da China. Ressalta sua transformação em “fábrica do mundo,”- impulsionada por mecanismos endógenos e pela massiva ajuda privada estrangeira com a chegada das corporações transnacionais americanas, japonesas e européias. Ao mesmo tempo relembra que esses países (China e Índia) têm tamanho, civilização multisecular, e provavelmente ambições e projetos que deverão influenciar nas mudanças de cenário nas relações políticas, econômicas e militares futuras. Além de acrescentar gigantescas populações a alimentar um exército industrial de reserva. Afirma que o modelo neoliberal de crescimento não permitiu a incorporação de grandes massas e aumentou a distância social, agravando o processo de exclusão.O "descolamento" do segmemento financeiro do processo da produção é outra característica desse processo que acentua a tendência dos resultados de curto prazo, da especulação finaceira com repercusões no meio ambiente e na violência nos aglomerados urbanos. Dinheiro para fazer mais dinheiro, pouco importando o que é produzido,desde que dê resultado econõmico e acelere o processo de acumulação.




Inicia o artigo com uma advertência. Vale apena repetí-la.
"Una advertencia inicial, porque el título puede ser equívoco. Este artículo no hace una presentación y análisis referido a los tres campos mencionados, sino que es apenas un intento de clasificación de las formas contemporáneas de guerra. Propone un marco analítico a ser alimentado con nuevos datos, de modo que su configuración pueda ir cambiando"....

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terça-feira, 10 de abril de 2007

ELEIÇÕES NA FRANÇA

  1. SOCIEDADE DOCONHECIMENTO EM PLANO DE GOVERNO?
  2. MICHEL ROCCARD acaba de entreagar à candidata socialista à presidência da França Ségolène Royal um documeto intitulado Por uma Sociedade do Conhecimento Aberta. É um cojunto de propostas e teses sobre condução das ações no âmbito de um programa de governo. Governança da Internet, TV Digital, compartilhamento do conhecimento, propriedade intelectual são temas em destaque. A íntegra do documento original está disponível acima. É só clicar sobre o texto grifado.
  3. Verso de Gilberto Gil é lembrado na introdução do documento ( da música Pela Internet). Aliás, cultura é um dos temas destacados nas propostas.

quinta-feira, 5 de abril de 2007

TECNOLOGIA NA PONTA DOS DEDOS?

Em meados dos anos oitenta, a discussão sobre a importância da capacitação tecnológica para o desenvolvimento nacional atingiu o grande público, através dos meios de comunicação. Anúncio maciçamente veiculado por uma grande multinacional do setor de informática dizia o seguinte: "a tecnologia está na ponta dos dedos" Com isso, tentava simbolizar - diziam alguns- que era perda de tempo o país se envolver com projetos de desenvolvimento de tecnologia própria. A tecnologia ficara tão simples e popular que qualquer um poderia usar um microcomputador (dedos ágeis seriam suficientes).Outros mais "técnicos" faziam leitura ligeiramente elaborada, afirmando que a popularização da tecnologia alcançaria a todos. Portanto, o grande esforço seria o de aprender a usar. Alguns outros observavam esses anúncios a partir do conceito de autonomia tecnológica ou seja: capacidade de concepção, projeto, desenvolvimento, fabricação e uso como etapas essenciais a um projeto de país. E não gostavam nem um pouco da mensagem.
No atual momento, quando volta -se a falar em planejar o futuro, pensar o país também no longo prazo, o conceito de desenvolvimento torna a ser considerado. Visto que não se trata mais de apenas planejar a estagnação, a recessão, a questão tecnológica conquista espaço nas esferas de políticas públicas.
Observado com os olhos de hoje, o anúncio daquela multinacional estaria obsoleto.
Afinal, uma das mais importantes feiras de tecnologia européia ( Feira de Hannover) acaba de premiar uma empresa austríaca. Motivo? Desenvolveu um sistema capaz de permitir que pessoas com limitações de movimento comuniquem-se, mediante emprego de ondas cerebrais. Valendo-se de eletrodos implantados no cérebro, é possível a essas pessoas controlar o uso de um cursor de um microcomputador sem mover um dedo sequer.
Mas o dilema enunciado na campanha publicitária daquela multinacional permanece atualíssimo. A tecnologia estaria na ponta dos dedos (ou no cérebro, ou, quem sabe, no coração)? Carecemos de adestramento para usar de modo correto os produtos da indústria do conhecimento? Ou precisamos desenvolver a capacidade para também conceber, projetar, produzir, utilizar e comercializar esses produtos? Essas e outras soluções?
Estudos recentes, empregando distintas metodologias, vêm apontando as dificuldades enfrentadas, no Brasil, pelas atividades industriais que se caracterizam pelo emprego intensivo de tecnologia. Levando-se em conta os segmentos que se convencionou denominar de alta intensidade tecnológica, observa-se que apresentam déficit nas suas relações comerciais com o exterior. Nesse caso se encontram, por exemplo, os setores da indústria farmacêutica, de telecomunicações, informática, componentes eletrônicos, instrumentos médico – hospitalares de precisão. Nessa categoria de produtos (alta intensidade), apenas a indústria aeronáutica é superavitária. Resultado direto do projeto ITA que está na origem da EMBRAER.Outros setores que integram o segmento de média – alta intensidade tecnológica também apresentaram resultados deficitários no ano de 2006. A despeito da importante indústria automobilística, que faz parte esse segmento, apresentar quase 9 bilhões de dólares de exportação.
Já os segmentos de baixa intensidade tecnológica apresentam saldos comerciais positivos, embora não alcancem magnitude suficiente para compensar as perdas nas transações com o exterior sofridas pelo segmento de alta intensidade tecnológica. Vale dizer, o superávit comercial alcançado pelo Brasil em 2006 decorreu principalmente dos resultados obtidos com os saldos comerciais dos setores agropecuário e extração mineral, com a colaboração do segmento de transformação industrial de baixa intensidade tecnológica.
É fato reconhecido, aqui e lá fora, que o comércio intrafirma (entre filiais das multinacionais) praticamente determina o fluxo de comércio no segmento de alta intensidade tecnológica.
O retrato do panorama industrial brasileiro recente mostra que o segmento de baixa intensidade tecnológica emprega grande quantidade de trabalhadores. Em seguida vem o segmento imediatamente superior em (média – baixa) intensidade tecnológica. Contudo, os resultados obtidos nas transações com o exterior são insuficientes para compensar as perdas do segmento de alta intensidade tecnológica. Daí o déficit comercial do conjunto da indústria de transformação. No setor de serviços, ao se considerar seu desempenho a partir dos dados da publicação Balanço de Pagamentos Tecnológico (publicado pela FAPESP), a situação não é muito diferente daquela aqui antes relatada.
Essas são questões relevantes no exame de estratégias de desenvolvimento de longo prazo: qual modelo de desenvolvimento perseguir. O projeto nacional de desenvolvimento.
O Brasil formou mais de 16 mil doutores somente em 2006. Segundo os números disponíveis e mantido esse ritmo de titulação, parece muito razoável estimar que o país poderá contar cerca de cem mil doutores, ao final de 2010, em todas as áreas reunidas. Se para adestrar apenas para o uso da tecnologia, pode parecer muito. Contudo se a destinação for projetar, desenvolver, produzir, empregar todo o potencial da inteligência criativa e colocá-lo a serviço das necessidades do país, será um bom recomeço.Tecnologia na ponta dos dedos...Mas, espero sinceramente, também na inteligência e no coração do brasileiro.

Arthur Pereira Nunes
Publicado no Caderno de Educação da Folha Dirigida de 3/4/2007